as vítimas do coronavírus no futebol

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Segundo país do mundo com mais casos registrados de coronavírus, o Brasil atingiu recentemente a marca de 100 milénio mortes pela doença. Entre as vítimas fatais da covid-19 estão personalidades do esporte. Alguns relativamente novos, outros nem tanto, que lutaram contra a doença, mas não resistiram.

O conta a seguir as histórias de Jorge Luiz Domingos, o Jorginho, massagista que dedicou 40 anos de sua vida ao Flamengo, Marco Bobsin, ex-vice-presidente do Grêmio, Sebastião José da Silva, o Tião Mariposa, primeiro técnico do atacante Richarlison, e Rodrigo Rodrigues, músico e jornalista com passagem por vários veículos de informação. Cada um teve uma trajetória dissemelhante, mas todos morreram em decorrência de complicações causadas pela covid-19.

Jorge Luiz Domingos, o Jorginho: Pentacampeão com a seleção, dedicou 40 anos ao Flamengo

Há poucas pessoas que trabalham no meio do futebol por 40 anos. Jorge Luiz Domingos, o Jorginho, foi um deles. Ele foi massagista do Flamengo de 1980 até 2020. Neste período, participou de várias conquistas e fez amizade com craques do presente e pretérito, não só no clube rubro-preto, mas também na seleção brasileira, com a qual foi pentacampeão em 2002 na Despensa da Coreia do Sul e Japão.

"Ele sempre se deu muito com todos os atletas. Dos jogadores antigos, era muito próximo de Andrade, Zico, Nunes, Leandro, Adílio, Júnior, Rivaldo, Cafu e Ronaldinho Gaúcho", conta a esposa de Jorginho, Heliana Viana Domingos, casada com ele, coincidentemente, também por quatro décadas. Segunda ela, do atual elenco rubro-preto, Arrascaeta, Bruno Henrique e Gabriel tinham muita amizade com o massagista.

Funcionário mais macróbio do departamento de futebol do Flamengo, Jorginho gostava de samba e pagode, não dispensava uma cerveja gelada e era "noveleiro". O sorriso largo no rosto e a alegria contagiavam quem por perto dele estava. "Um varão de caráter, trabalhador, família, cima astral, muito colega e mentor. Para ele não tinha tempo ruim. Confesso que nunca o vi estressado. Com ele, era só alegria", relata Heliana.

O massagista era um possuinte de um fusca e não perdeu a humildade no convívio com várias estrelas do futebol. Tinha alguns imóveis alugados que o ajudavam a complementar a renda mensal. "Graças ao Flamengo, Jorge teve muitas oportunidades, mas isso nunca o fez perder a sua humildade. Esse era o seu grande diferencial", destaca a esposa, que tem duas filhas fora do enlace, Rosane e Roseli, mas que Jorginho tratava com se fossem suas.

Jorginho ficou internado no CTI do hospital da Ilhéu do Governador, no Rio, em estado grave. Sofreu uma paragem cardíaca depois complicações da covid-19 e morreu no dia 4 de maio, aos 68 anos. Na extensa galeria de troféus do massagista, além do penta em 2002, também estão um Mundial de Clubes (1981), duas Libertadores (1981 e 2019), três edições da Despensa do Brasil (1990, 2006 e 2013) e cinco títulos brasileiros (1982, 1983, 1987, 1992, 2009 e 2019), entre vários outros.

Sebastião José da Silva, o Tião Mariposa: Fundamental para o sucesso de Richarlison

Atacante do Everton e da seleção brasileira, Richarlison deve secção de seu sucesso a Sebastião José da Silva, o Tião Mariposa, primeiro treinador do logo menino de 10 anos, na cidade de Novidade Venécia-ES. "Foi ele que me passou algumas dicas de posicionamento e de finalização que eu uso no meu jogo até hoje", diz ao o atacante, que ganhou de Tião o sobrenome de "lamparina". "Ele dizia que eu tinha cabeça de um jogador muito mais velho, que eu clareava as jogadas para os mais velhos", explica.

Sebastião José da Silva, o Tião Borboleta

Sebastião José da Silva, o Tião Mariposa

Foto: Reprodução/ TV Notícia /

Morando na Inglaterra, o atacante perdeu um pouco o contato com o treinador. O último encontro foi em julho do ano pretérito. Na ocasião, Richarlison convidou Tião Mariposa para dar o pontapé inicial de um jogo beneficente que promoveu em sua cidade natal. "Fico feliz porque consegui o homenagear em vida, mostrar um pouco da minha gratidão por ele".

Tião Mariposa foi mais que um técnico para Richarlison e outros garotos de Novidade Venécia. O treinador era tido porquê um pai para várias crianças. "Lembro quando a gente ia treinar lá no campo de areia e tinha uma sorveteria logo em frente. E o Tião sempre liberava um geladinho para cada desportista. Também sempre levava uma caixa de pão com salame e a gente se reunia na frente do ônibus para esperar o Tião chegar", rememora o atacante. Tião Mariposa morreu no dia 3 de agosto, aos 71 anos.

Marco Bonsin, vice-presidente do Grêmio: Braço recta do presidente, passou mais de cinco décadas no clube

Marco Bobsin teve quase toda a sua vida atrelada ao Grêmio. Sócio do time gaúcho por cinco décadas, deixou as arquibancadas e rumou para a política do clube em 1982. Integrou vários movimentos políticos e participou ativamente das reformas dentro do Juízo, até chegar à chefia de gabinete da presidência e depois à vice-presidência, incumbência que ocupou de dezembro de 2019 até o dia da sua morte.

Marco José Bobsin, vice-presidente do Grêmio

Marco José Bobsin, vice-presidente do Grêmio

Foto: Grêmio/ Divulgação /

Diagnosticado com coronavírus, Marcão, porquê era divulgado, ficou internado por mais de três meses, de março a junho. Passou 100 dias na Unidade de Terapia Intensiva do hospital Moinhos de Vento, em Porto Contente, antes de receber subida. Quando saiu, foi saudado por alguns amigos, que o receberam na porta da unidade hospitalar. No entanto, voltou a ser internado com complicações decorrentes da doença e morreu aos 68 anos, no dia 31 de julho, com infecção abdominal.

Um dos amigos a saudar o dirigente logo que recebeu a liberação para ir para lar foi o presidente do Grêmio, Romildo Bolzan Junior, que considera Marcão um "colega leal".

"O que fica é a amizade leal, profunda, relacionamento de paridade totalidade, que foi muito além do clube", descreve o mandatário gremista, que também contraiu o vírus, mas apresentou sintomas leves. "Vou levar uma imagem de lealdade, de fraterna convívio e principalmente de uma pessoa extremamente franca e correta", acrescenta sobre o camarada de mais de uma dez. Marcão era casado com Perdão Bosin e deixou dois filhos, Mariane e Diego.

Rodrigo Rodrigues: Unanimidade e agregador, deixou uma legião de amigos

Rodrigo Rodrigues conseguiu um pouco vasqueiro: fez com que o SporTV, do Grupo Mundo, e a ESPN, da Disney, colocassem no ar uma transmissão simultânea para se despedir do apresentador, que morreu no dia 28 de julho, aos 45 anos, por complicações geradas pelo coronavírus. "Ele viveu muito muito, apesar de ter vivido só até os 45. Muito no sentido de tratar a vida com leveza. Sem amarras, parecia não se agastar com zero. Zelava muito o bom envolvente com as pessoas", define o narrador Gustavo Villani.

Rodrigo Rodrigues morre vítima de covid-19

Rodrigo Rodrigues morre vítima de covid-19

Foto: Reprodução / Instagram / @rr_tv /

Irreverente, instintivo e muito-humorado, o jornalista colecionou amizades em todas as emissoras em que trabalhou: Rede Vida, SBT, Bandeirantes, TV Cultura, Band, TV Jornal, ESPN, Esporte Interativo e SporTV, além da redação da Placar. "Era muito agregador, muito gente boa, colega demais. Eu não conheço ninguém que era inimigo dele", pontua o comentarista Paulo Vinicius Coelho, colega de RR na ESPN e SporTV. O apresentador, que também escreveu livros e foi proprietário de um restaurante em São Paulo, não fumava e era abstêmio, mas vivia na boemia. Nos bares, era sempre o último a ir embora. "Adorava transpor com os amigos. Gostava de gente", diz PVC.

Rodrigo Rodrigues não começou no jornalismo esportivo. Só se aventurou no meio em 2011, ao entrar na ESPN Brasil. Antes disso, sua trajetória na profissão teve início na dimensão cultural. Ele era músico, líder da margem "The Soundtrackers", e diferentemente da maioria dos jornalistas que trabalham com esportes, não manjava de esquemas táticos. Pelo contrário. Falava pouco sobre futebol, mas cativava a audiência com bom humor e um estilo único. "Ele juntava futebol, música, cinema tudo num liquidificador e saia uma vitamina bacana", resume PVC.

"Ele gostava de futebol, mas era, sobretudo, um comunicante nato. Não era um 'heavy user' do futebol", ressalta Villani, que entrou junto com Rodrigo na ESPN para se aventurarem em experiências novas. Na idade, o narrador, hoje no SporTV, deixava o rádio para transmigrar para a TV, e o apresentador largava a cultura pop para entrar no mundo esportivo. "Era um face muito fácil de trato, bonachão, sempre recreativo, nos tornamos amigos muito rápido. Ensinou a mim muito sobre o trato com a câmera, naturalidade, improviso. Crescemos juntos".

André Karnikowski, ex-presidente e médico do Brusque: Trabalhou por quase metade de sua vida no clube

André Karnikowski, ex-presidente e diretor do departamento médico do Brusque Futebol Clube, equipe de Santa Catarina que disputa a Série C do Campeonato Brasiliano, morreu depois de destinar quase metade de sua vida ao clube. Ele tinha 54 anos e passou 23 deles no time.

André Karnikowski, ex-presidente e médico do Brusque

André Karnikowski, ex-presidente e médico do Brusque

Foto: Brusque/ Divulgação /

"Perdemos um grande varão. Foi presidente, diretor médico, trabalhou por 23 anos no clube. Uma pessoa que todos cá aprenderam a gostar pelo seu trabalho incansável, pelo pai de família que foi, pelo profissional fenomenal, o colega leal. Só temos boas lembranças. Deixa uma vácuo que dificilmente será ocupada", salienta Danilo Rezini, atual presidente do Brusque.

Karnikowski ficou internado por 20 dias no Hospital e Maternidade Imigrantes, em Brusque, em seguida apresentar sintomas da doença e logo depois de seu teste para o novo coronavírus apresentar resultado positivo. Nos primeiros dias de tratamento, seu quadro teve uma piora acentuada e o ex-presidente do time catarinense precisou ser entubado por apresentar sérias complicações na respiração. Ele morreu no dia 13 de agosto.

"Vai deixar uma saudade imensa por tudo o que ele significa, a participação no clube, a maneira porquê vivenciava o Brusque. Foi uma morte prematura e toda diretoria, percentagem técnica, atletas, funcionários, torcida ficaram e ainda estamos extremamente consternados", completa Rezini.

Estadão
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